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Roraima - História
Comunidade indígena de Roraima foi escravizada

A colonização portuguesa dos sertões do Brasil, principalmente do vale do Rio Branco, pode ser dividida em três fases: escravização indígena, tentativa de estabelecer instalações indígenas no alto rio Branco e estabelecimento de instalações não-índias.

No século XVIII, os portugueses enviaram expedições ao Rio Branco para capturar ou trocar escravos índios pelas chamadas drogas dos sertões (salsaparrilha, gengibre, castanha etc.), ferramentas ou armas. Mesmo os holandeses tendo chegado primeiro, os portugueses conseguiram a hegemonia com os índios.

O rio Branco foi o principal alvo da colonização portuguesa, que tinha a pretensão de ampliar as terras conquistadas, extrapolando os limites preestabelecidos pelo Tratado de Madri (1750). Ele era a porta de entrada para a Amazônia. Para consolidar o domínio da região, foi construído o forte de São Joaquim, no ano de 1775, na confluência dos rios Tacutu e Uraricoera, onde nasce o rio Branco.

O Marquês de Pombal mandou parar com a escravização indígena e obrigou o uso da língua portuguesa em toda a região. O objetivo mais uma vez foi alargar as fronteiras, estabelecendo relação amistosa com os grupos indígenas, visando intensificar a presença de não-índios.

As mudanças impostas pelos portugueses no estilo de vida indígena quase não foram aceitas. Os macuxi resistiram às mudanças impostas ao longo de tempo. Seu primeiro contato oficial com os portugueses ocorreu em 1784. Apenas em 1789 os primeiros pequenos grupos de macuxi chegaram às instalações, mas não ficaram muito tempo.

A terceira fase de colonização no vale do rio Branco buscou introduzir o gado bovino. Embora o extrativismo florestal ainda fosse a atividade econômica principal para todo o século XIX, a criação de gado começou a ganhar importância. Em 1787 chegaram a Roraima as primeiras cabeças de gado.

As Fazendas Nacionais, criadoras de gado de corte, foram fundadas para prover a capitania de carne. O funcionamento efetivo das Fazendas Nacionais São José, São Bento e São Marcos não correspondeu às expectativas governamentais. Em 1869, as Fazendas Nacionais diminuíram para duas e fazendas privadas somariam mais de 80, em 1885.

Em Roraima, a pecuária foi mais que uma atividade econômica. Ela fez parte de uma geopolítica de ocupação do território que compreende o Vale do rio Branco, palco de disputa entre ingleses, espanhóis, holandeses e portugueses até meados do século XIX. A colonização de fato ocorreu pela "pata do boi".

No começo do século XX apenas São Marcos era ainda uma Fazenda Nacional; as outras tinham sido ocupadas por fazendeiros, que iam desenvolvendo rebanhos privados em terras públicas.

Em 1916, a fazenda São Marcos foi entregue ao SPI (Serviço de Proteção ao Índio), posteriormente Funai (Fundação Nacional do Índio), para ser administrada, embora o contato indígena com o gado já tivesse acontecido. Alguns macuxi tinham adquirido uma certa familiaridade com o gado trabalhando para fazendeiros vizinhos. Naquele momento, a propriedade privada da terra se tornou diretamente relacionada à posse de gado: "o gado marcado era praticamente o único critério para garantir a titulação da terra".

Com o declínio do ciclo da borracha no Amazonas, a pecuária entra em declínio no vale do rio Branco e começa emergir a atividade de mineração. O El Dorado já era perseguido desde o século XVI por excursões predominantemente formadas por estrangeiros.

Os primeiros registros de minérios datam de 1912 às margens do rio Urucá, um divisor entre Maú e Cotingo, próximo à fronteira com a Guiana, onde hoje está forjado o município de Uiramutã. Posteriormente seriam localizados diamantes na Serra do Tepequem, próxima aos Yanomami. O garimpo de Tepequem tornar-se-ia um dos principais pontos de extração diamantífera por várias décadas.

Os principais focos de exploração no Estado foram os vales do Maú, Quinô, Cotingo e o Tepequém. A partir de 1980 ganhou incremento o garimpo de Santa Rosa, na cordilheira Pacaraima, vindo a expandir-se para a área Yanomami em diversas frentes: Uraricoera, Apiaú, Mucajaí, Serra Couto Magalhães, Santa Rosa, Palimiú, Erikó, Jundiá, Catrimani, Paapiú, e Auaris.

A segunda metade da década de 90 fica conhecida pela "corrida ao ouro", devido o apogeu da garimpagem aurífera no Estado, com a presença estimada de 40 mil garimpeiros na área Yanomami. Com a sua homologação em 1992, a atividade entrou em declínio.

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