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Roraima - Exército

Exército ignora pedido indígena e inaugura Pelotão dentro de área demarcada

Ignorando os protestos das comunidades indígenas da terra Raposa Serra do Sol, o Exército Brasileiro inaugurou, em 2 de maio de 2002, o 6° Pelotão Especial de Fronteira em Uiramutã. Soldados camuflados e armados de fuzil desfilaram diante dos macuxi da etnoregião das Serras guarnecidos por blindados e helicópteros. A manobra Militar foi denominada “Operação Uiramutã”.

O Exército Brasileiro anunciou que a manobra militar poderia ocasionar um combate aberto com os indígenas, empenhados apenas manter viva danças e cantos tradicionais. “Se tratou de uma aberta violação dos direitos fundamentais dos povos indígenas, uma agressão à dignidade ao nosso povo e à nossa cultura”, disse o coordenador do CIR, Jacir José de Souza.

O Quartel de Uiramutã foi construído a cerca de 150 metros da aldeia homônima e ao lado da sede municipal com o objetivo de reforçar infra-estrutura, aumentar a população não-indígena e favorecer a presença de invasores na região.

As comunidades indígenas entraram com uma Ação Judicial solicitando que o Pelotão fosse construído a cerca de 10 quilômetros da aldeia. O Exército se recusou a dialogar com as comunidades e o quartel foi inaugurado respaldado por uma Liminar concedida pelo Superior Tribunal de Justiça. O Mérito da Ação não foi julgado.

Os tuxauas, líderes das comunidades indígenas, denunciam que o Pelotão tão próximo das aldeias, ocasiona aumento no consumo de bebida alcoólica e prostituição, além de prejuízos irreparáveis à organização social indígena.

O culmine desta desestruturação lenta e programada da integridade física e cultural dos povos indígenas se verificou na área Yanomami, no 4° Pelotão Especial de Fronteira de Surucucus, onde militares abusaram sexualmente das mulheres indígenas. A Comissão de Direitos Humanos da Câmara Federal denunciou o caso em 2001.

A justificativa para a construção de quartéis nas terras indígenas na faixa de fronteira é o pensamento militar que considera os povos indígenas como defensores não confiáveis das fronteiras brasileiras. Setores das Forças Armadas - mas também na própria população brasileira - argumentam que os indígenas colaboram com suposta internacionalização da Amazônia.


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