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Roraima - Economia e Meio Ambiente
Economia indígena é exemplo de integração com meio ambiente e auto-sustentabilidade

Fora da economia e do "desenvolvimento" oficiais, medidos pelos indicadores de mercado, há a economia indígena e o etnodesenvolvimento. A economia indígena pode ser considerada um exemplo historicamente vivo de auto-sustentabilidade e integração com o meio ambiente, na medida em que as populações indígenas sobreviveram e se reproduziram historicamente segundo modelos próprios, com baixa interação e integração com a economia de mercado.

Regras sociais e culturais, individuais e coletivas, que estruturam as economias indígenas e os processos de etnodesenvolvimento, contribuíram até hoje para a preservação da qualidade ambiental e da biodiversidade, não só nas terras indígenas, mas de toda a Amazônia, da qual representam 20% do território, englobando mais de 50% das florestas ainda em pé.

Os povos e as terras indígenas de Roraima prestam serviços ecológicos às demais áreas da Amazônia, do Brasil e do mundo. Podemos citar o fato de que todas as nascentes dos rios da bacia do Rio Branco estão em terras indígenas, e que o status simbolicamente sagrado que a água e os rios têm nas culturas indígenas garantem o respeito de regras e de cuidados, assegurando a qualidade deste importante recurso vital para todos seus usuários rio abaixo.

Os povos indígenas de Roraima não só prestam este serviço em silêncio e gratuitamente, mas se organizam, resistem e lutam contra projetos, como os de barragens no rio Cotingo, em Raposa Serra do Sol, de grande impacto sobre os recursos hídricos regionais.

Roraima é o único Estado da Amazônia Brasileira que engloba em seu território todas as nascentes de sua bacia hidrográfica - além do Amapá, que participa de duas bacias hidrográficas de menor importância - e, mesmo assim, não tem uma política formal e coerente de manejo e proteção de suas águas.

Pelo contrário, o Governo Estadual impulsiona incessantemente formas de ocupação e uso do território extremamente prejudiciais à conservação dos recursos hídricos. O exemplo do Município de Pacaraima, criado ilegalmente em 1995 dentro da Terra Indígena São Marcos, demarcada e homologada desde 1992, é de particular destaque e atualidade neste sentido.

Pacaraima está situado no divisor de águas que define a fronteira do Brasil com a Venezuela, o município não possui nenhuma rede de saneamento, e o matadouro municipal descarrega seus dejetos diretamente nas nascentes do rio Miang, afluente do rio Surumu, prejudicando as comunidades indígenas situadas imediatamente rio abaixo.

A expansão do município está se efetuando a um ritmo frenético às custas do desmatamento, da completa omissão das autoridades ambientais municipais, estaduais e federais. Os índios são os únicos que, preocupados com a situação fora de controle, e cansados da inércia das autoridades frente a suas denúncias, resolveram, no dia 9 de dezembro de 2002, iniciar a construção de uma cerca para tentar frear o avanço do desmatamento na região conhecida como Morro do Quiabo.

No dia 10 de dezembro, quando a equipe de 25 pessoas retornou ao local para o trabalho, viram a cerca arrancada e as estacas queimadas. Logo após eles foram cercados por 200 habitantes da vila que agrediram um servidor da Funai. Políticos do município incentivaram a invasão da sede do Programa São Marcos em Pacaraima, onde a população destruiu equipamentos do órgão indigenista federal.

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