Exploração predatória resultou em altos custos sociais e ambientais
O que resultou décadas de exploração desregulada do rico potencial mineral do Estado ou de importantes investimentos federais como a BR 174, além de seus altíssimos custos sociais e ambientais nunca devidamente contabilizados?
Verificamos na atualidade uma "economia de contra-cheque", onde o maior empregador é a administração pública, tanto na esfera federal quanto estadual. O orçamento de Roraima depende em aproximadamente 95% de verbas federais.
Para todos efeitos a capital econômica de Roraima é Brasília, e a maior indústria local é a política. O papel e o poder da política na economia e na sociedade locais se destacam ainda mais considerando que a grande maioria dos funcionários da administração pública estadual não é concursada, mas apenas nomeados ou de confiança.
O sistema eleitoral brasileiro faz Roraima, com apenas 325.000 habitantes, eleger o mesmo número de senadores que São Paulo. Os deputados federais são oito. Esses parlamentares eleitos com poucos milhares de eleitores, muitas vezes acabam representando as agulhas da balança de alianças que decidem os destinos do Brasil.
Muitos dos grupos de poder político que hoje dominam o cenário de Roraima construíram sua posição atual sobre a exploração do garimpo, e mantêm suas posições de renda controlando os fluxos da atual economia do contra-cheque.
Será verdade que em Roraima falta terra para o desenvolvimento? Com 225.000 km2, o Estado tem uma densidade média de menos de 1,5 hab/km2. Mesmo tirando as terras indígenas do cálculo, a densidade média dobra, alcançando 3 hab/km2, dado elevado, e que na realidade não reflete uma assimetria importante entre a capital, Boa Vista, onde se concentra 70% da população do Estado, e os demais municípios, com taxas bem abaixo de 1 hab/km2.
Na verdade, argumentar a falta de desenvolvimento por falta de terra, além de ser objetivamente falso, reflete a falta de um projeto estratégico claro, de longo prazo, fundamentado no conhecimento da realidade territorial e socioambiental do Estado, e comprometido com a população, na sua totalidade e diversidade.