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Roraima - Economia e Meio Ambiente

Desenvolvimento econômico e meio ambiente no Estado de Roraima

Um dos argumentos constantemente levantados na discussão sobre o desenvolvimento econômico de Roraima é que a "imobilização" de grandes áreas, principalmente através da demarcação de terras indígenas, representaria o principal empecilho ao desenvolvimento.

Efetivamente, 32 terras indígenas englobam 44% do Estado, sendo quatro áreas contínuas: Yanomami, São Marcos, Waimiri-Atroari e Raposa Serra do Sol, a única não homologada. Várias outras áreas pequenas estão demarcadas em ilhas.

Umas das fronteiras mais remotas de ocupação econômica da Amazônia, Roraima se desenvolveu em ritmo lento até a década de 70 - primeiro como parte do Amazonas, e depois como Território Federal de Roraima. A pecuária extensiva foi a principalmente atividade econômica de Roraima durante décadas.

Diferentemente do modelo adotado em outras regiões da Amazônia, a pecuária em Roraima afetou apenas marginalmente áreas de floresta, concentrando-se principalmente na exploração dos campos abertos naturais do lavrado, a savana amazônica local, que representa cerca de 1/4 do território.

Nesta fase, poderíamos, portanto, supor que o impacto ambiental da atividade econômica tivesse permanecido relativamente modesto, pelo menos em termos comparativos com outras áreas da Amazônia onde a expansão da pecuária se fez a custo de milhões de hectares de floresta.

Na realidade, o verdadeiro impacto da expansão pecuária nos lavrados de Roraima não pode ser entendido sem o filtro histórico e cultural das relações entre os brancos colonizadores e os índios locais, habitantes originários dos lavrados.

Dizimados pelas incursões portuguesas e holandesas de captura de escravos dos séculos XVII e XVIII, assim como pelas doenças do contato, os índios passaram a ser confinados em fazendas, muitos deles trabalhando na criação de gado em condições de semi-escravidão.

Se o impacto cultural sobre as sociedades indígenas foi violento, o impacto ambiental não foi menor para a sociedade indígena, pois com a expansão das fazendas, os rebanhos e as cercas avançavam sobre a terra como marcos tangíveis da posse dos brancos, limitando drasticamente o acesso aos recursos naturais do lavrado fundamentais para sua economia de subsistência.

A população e a atividade econômica em Roraima cresceram rapidamente com a corrida do ouro nos anos 80. Dezenas de milhares de garimpeiros invadiram as terras indígenas em busca de ouro e diamantes, gerando altíssimo impacto social e ambiental para a população nativa e seu meio ambiente.

Um exemplo, entre outros, é a dispersão de mercúrio na água, associada ao garimpo de ouro. O impacto ecológico e sanitário desta atividade sobre os rios da região e às populações tradicionais com dieta a base de peixe, é ainda desconhecido, por falta de estudos e avaliações científicas. Casos de alta concentração de mercúrio em humanos já foram detectados esporadicamente.

Entendido a partir do contexto sociocultural, o maior impacto do "desenvolvimento" sobre as florestas de Roraima não se deu na forma visível do grande desmatamento, mas nas formas ambientalmente menos visíveis das epidemias de gripe e malária.

Povos inteiros quase foram dizimados como os Yanomami, ou os Waimiri-Atroari, cujo território encontrava-se no caminho de um dos "axés" do desenvolvimento traçados pelos governos militares, a BR 174 que liga Manaus-Boa Vista-Venezuela.

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