IX. Operacionalização
O Distrito Sanitário Indígena do Leste de Roraima - DSL é composto por nove regiões administrativas, que se dividem em 33 pólos-base, totalizando 222 postos de saúde e 80 laboratórios de microscopia.
As atividades são programadas no nível distrital em oficinas de trabalho para planejamento e avaliação envolvendo os coordenadores dos pólos-base e profissionais de saúde, com acompanhamento do conselho distrital; no nível regional as ações são planejadas e acompanhadas pelos conselhos locais de saúde; cada pólo-base conta com um coordenador de saúde que está responsável pela organização geral dos serviços nas comunidades em sua área de abrangência, sob supervisão dos profissionais de sua área.
A capacitação dos profissionais de saúde está sob responsabilidade da FUNASA, e o projeto realiza anualmente oficinas de capacitação antropológica, abrangendo conteúdos sobre a antropologia da saúde e realidade dos povos indígenas do estado e do país.
O Programa de Capacitação de AIS conta com quatorze enfermeiros, responsáveis pelos cursos, supervisões e organização dos serviços de saúde, assim como pela coordenação do Programa de Imunizações, com o apoio de quatorze auxiliares de enfermagem e dos AIS capacitados como vacinadores indígenas. O Programa de Controle de Endemias conta com cinco técnicos de laboratório, coordenados por um médico, responsáveis pelos cursos e supervisões aos microscopistas indígenas.
O Programa de Entomologia e Controle de Vetores conta com uma entomóloga e cinco técnicos de entomologia, que fazem a capacitação e atuam em conjunto com os agentes indígenas de endemias. O Serviço de Epidemiologia conta com cinco auxiliares coordenados por um profissional de saúde, responsáveis pelo processamento e análise de dados, e as atividades de vigilância epidemiológica envolvem todos os profissionais de campo.
Os quatro médicos do projeto atuam na normatização das ações, em situações de risco ou emergenciais, e na assistência direta nos pólos-base sob responsabilidade do CIR. Os cinco odontólogos são responsáveis pela implantação do Programa de Saúde Bucal, a partir das diretrizes elaboradas pelo DESAI/FUNASA, nos pólos-base sob responsabilidade do CIR. A assistência médico-odontológica no DSL é complementada através de convênios específicos da FUNASA com as Prefeituras Municipais. Todas as ações no distrito são realizadas com a participação dos agentes indígenas e outras lideranças das comunidades.
As equipes de saúde se deslocam permanentemente pelas aldeias, tendo como ponto de apoio os pólos-base onde está centralizada a operacionalização das ações, e mantém contato permanente com os AIS e coordenadores dos pólos-base através de uma rede de 84 radiofonias instaladas nas comunidades. O tempo de permanência em área é variável em função do tipo de atividade que será desenvolvida (em média de 03 a 15 dias cada viagem).
As distâncias em relação a Boa Vista variam de uma até oito horas por estrada e até três horas de vôo em aeronave. As condições de acesso terrestre são bastante precárias necessitando de veículos resistentes e tracionados. O projeto conta hoje com dezoito camionetes, três ambulâncias e um utilitário para serviços de apoio na cidade, além de cinco barcos com motor de popa localizados em aldeias onde o acesso é fluvial. Cinco pólos-base somente são acessíveis através de aeronaves ou barcos, e em muitas áreas há necessidade de longas caminhadas. A maioria dos postos de saúde recebeu bicicletas para o deslocamento dos agentes de saúde, sendo necessária a sua reposição.
A logística do projeto está centralizada na cidade de Boa Vista, onde são realizadas todas as compras de medicamentos, alimentos e insumos em geral, em decorrência da falta de estrutura na sede dos municípios do interior (populações de no máximo 10.000 habitantes).
O projeto conta com uma farmacêutica e dois auxiliares de farmácia, responsáveis pelo controle da distribuição de medicamentos aos pólos-base. As remoções de pacientes são solicitadas através da rede de radiofonias localizadas nas aldeias indígenas, estando duas ambulâncias localizadas em pólos-base estrategicamente escolhidos e uma terceira na sede do projeto para o atendimento das aldeias mais próximas da capital.
O projeto está responsável também pela vinda dos pacientes referenciados para a Casa do Índio ou hospitais da rede pública de Boa Vista, e seu retorno às comunidades de origem.