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I. APRESENTAÇÃO
II. ANTECEDENTES
  A.O CIR
B.Breve histórico do DSL
C.Controle social e gestão participativa
III. CARACTERIZAÇÃO
  A.População alvo e localização
B.Aspectos culturais e de organização social
C. Situação da terra e auto-sustentação
 
IV. REDE BÁSICA DE ASSISTÊNCIA
V. SITUAÇÃO DE SAÚDE ATUAL
VI. OBJETIVO GERAL
VII. OBJETIVOS ESPECÍFICOS
VIII. METAS E ATIVIDADES
IX. OPERACIONALIZAÇÃO
X. CONTRAPARTIDA LOCAL

II. Antecedentes

B. BREVE HISTÓRICO DO DSL

O primeiro passo para a implantação do Distrito Sanitário Indígena do Leste de Roraima – DSL aconteceu em 1993, por ocasião da etapa estadual da II Conferência Nacional de Saúde Indígena, quando foi discutida e aprovada pelos participantes a proposta de criação de dois distritos sanitários especiais indígenas no estado, um para atendimento dos povos Yanomami e Yekuana e o outro para as demais etnias do estado, excetuando-se o povo Waimiri-Atroari atendido pelo estado do Amazonas. Em 1995, a Assembléia Geral dos Tuxauas aprovou a proposta de criação do Distrito Sanitário Indígena do Leste de Roraima, a qual foi ratificada pelo Núcleo Interinstitucional de Saúde Indígena – NISI/RR, e pelas instâncias regionais da FUNASA e FUNAI.

Em fevereiro de 1995 aconteceu o I Encontro Estadual de Agentes Indígenas de Saúde – AIS em Boa Vista, onde se estabeleceram as bases para o funcionamento dos programas de formação de AIS e de Microscopistas Indígenas, e as propostas para o seu reconhecimento, remuneração e inserção institucional. Estes encontros estaduais tiveram continuidade nos anos seguintes, estabelecendo-se como instância maior de avaliação e planejamento das atividades do distrito, com desdobramentos em duas oficinas de trabalho anuais reunindo os coordenadores de saúde dos polos-base, e nos encontros de saúde realizados em nível de regiões, polos-base e comunidades.

Os programas de formação de AIS e Microscopistas Indígenas tiveram um importante sustentáculo no projeto desenvolvido pela organização Médicos Sem Fronteiras – MSF/Holanda nos anos de 1994 a 1997. Foram realizados neste período, com o apoio de todas as instituições do NISI/RR, cursos anuais para AIS nas nove regiões do DSL, além de cursos para AIS iniciantes, microscopistas indígenas, parteiras, vacinadores e borrifadores indígenas, e editados com o apoio da UNICEF os Manuais do Agente Indígena de Saúde e do Microscopista Indígena do DSL, além do Caderno com Receitas da Medicina Tradicional Indígena no leste de Roraima.

Ao longo destes anos o DSL enfrentou enormes dificuldades e deficiências em seu funcionamento, principalmente pela falta de profissionais em número suficiente para as atividades de supervisão e educação em serviço, insuficiência no fornecimento de medicamentos e insumos básicos, e falta de uma melhor infra-estrutura de transportes, comunicação e equipamentos para os postos de saúde. Ainda assim, a mobilização comunitária conseguiu suprir muitas destas falhas, colaborando na organização dos cursos e encontros, fiscalizando o funcionamento dos serviços, construindo postos e laboratórios, reivindicando continuamente o apoio dos órgãos responsáveis, e participando da luta pela implantação de um novo modelo de assistência para as populações indígenas do país.


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