Nos primeiros anos da década de 70, com o apoio de missionários
católicos, os tuxauas macuxi e wapichana começam a discutir
coletivamente a dura realidade dos povos indígenas de Roraima.
Os encontros acontecem nas comunidades e na Missão Surumu.
Em 26 de abril de 1977, a comunidade Maturuca, terra indígena
Raposa Serra do Sol, assumiu o compromisso de dizer "não
à bebida alcoólica e sim à comunidade".
A decisão conhecida como "Ou vai, ou racha" é
um marco histórico da luta e organização do movimento
indígena no Estado de Roraima.
A decisão de 1977 mudou a trajetória de extermínio
premeditada para os índios de Roraima. Foi um levante contra
a usurpação das terras pelos fazendeiros criadores de
gado e a destruição das matas e rios pelos garimpos
ilegais, que também levavam bebida alcoólica e prostituição.
Em meados da década de 70, poucos acreditavam que era possível
reverter o quadro marginal ao qual estavam submetidos os povos indígenas.
Com vergonha de falar a língua materna, sem terra para plantar
e trabalhando como peões nas fazendas e garimpos, "o futuro
só poderia ser de morte".
Após várias reuniões comunitárias, as
lideranças indígenas concluíram que sem terra
não poderiam viver, porém perceberam algo mais: a terra
onde sempre viveram estava tomada pelo gado do fazendeiro e a região
serrana era o refúgio da maioria dos sobreviventes, após
um século de pecuária extensiva.
Nas bases, através da organização das comunidades,
busca-se o fortalecimento do tuxaua, líder do povo que havia
sido menosprezado pelos invasores da terra. Os tuxauas são
esteios da organização social macuxi, wapichana, ingarikó
etc.
A propriedade indígena sobre o gado foi a forma encontrada
pelos tuxauas para, usando a mesma estratégia do invasor, recuperar
a terra perdida. Com apoio da Diocese de Roraima, as comunidades passam
a desenvolver o projeto do gado, conhecido através de campanhas
internacionais como "uma vaca para o índio".
Após várias discussões comunitárias em
torno do projeto do gado, o tuxaua assumia o compromisso de defender
a terra e lutar contra a bebida alcoólica. A união entre
os tuxauas deu origem ao Conselho Regional da Serras, criado em 1980.
Depois foram criados os conselhos regionais da Raposa, Surumu, Baixo
Cotingo, Amajari, Serra da Lua, Taiano e São Marcos.
Com o fortalecimento dos conselhos de base, nasce o CIR com o propósito
de aglutinar forças em defesa dos direitos dos povos indígenas
de Roraima. Em 1987 é registrado com o nome de Conselho Indígena
do Território Federal de Roraima, e, com a promulgação
do Estado, em 1990, passa a denominar-se Conselho Indígena
de Roraima.