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CIR - Omir
Mulheres têm papel fundamental na organização

"Este acontecimento é uma vitória do povo indígena, mas principalmente é uma vitória das mulheres". Em 28 de novembro de 1999, na aldeia Três Corações, etnoregião de Amajarí, emocionada, a jovem macuxi Iranir Barbosa dos Santos, à época com 25 anos, inicia a 1ª Assembléia Geral da Omir (Organização das Mulheres Indígenas de Roraima).

A Omir nasceu da necessidade de organização e representatividade da mulher indígena, que sempre teve participação decisiva na luta dos povos indígenas, mas não era reconhecida pelos tuxauas (líderes das comunidades).

Quando as comunidades resolveram bloquear estradas para impedir o acesso de garimpeiros, materiais de garimpagem e bebidas alcoólicas à região dos rios Quinô, Cotingo e Maú (na Raposa Serra do Sol) em 1993, as indígenas tomaram à frente dos homens e enfrentaram a polícia que ameaçava desobstruir a estrada e prender os manifestantes.

Elas decidiram deixar de ser apenas cozinheiras e babás nas assembléias dos tuxauas, onde não podiam se manifestar livremente. "A mulher tinha que falar ao homem e ele falava para toda a assembléia", conta Lindalva Peixoto, do povo macuxi.

Diva da Silva foi a primeira mulher tuxaua de Roraima, comandando a aldeia Raposa II, de meados de 1999 a janeiro de 2003. Destacou-se pelo respeito que obteve dos demais tuxauas da etnoregião da Raposa e por não ceder à pressão dos fazendeiros para abandonar o cargo.

"Mesmo a mulher indígena sendo muito discriminada, eu não perdi o respeito de tuxaua por ser mulher. Pelo contrário, a comunidade sempre me acompanhou em todas as decisões e trabalhamos em conjunto", explica.

A Omir conquistou importante espaço na política indígena nacional. A atual coordenadora da organização, Iranir Barbosa dos Santos, representa as mulheres indígenas de todo o Brasil no Conselho Nacional de Defesa dos Direitos da Mulher, órgão do Ministério da Justiça.

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